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  • Ruy Montalvão

Sup na Terra do Açaí

Fred Giusti fala do início do Stand Up Paddle em Belém


A ano era 2012 quando o surfista e engenheiro químico, Fred Giusti realizou uma viagem ao Peru. Antes do retorno para Belém, Fred passou dois dias na capital Lima e após uma sessão de surf pela manhã, sentou-se a beira da praia para apreciar a sessão de surf local.


De repente, Fred avistou um homem surfando muito bem com uma prancha grande e um remo e ficou entusiasmado com aquilo. Fred continuou sentado aguardando que homem saísse do mar para perguntar sobre aquela modalidade e onde poderia adquirir os equipamentos.

Por sorte, o cidadão era o próprio shaper da conhecida marca peruana “Liquid Shredder”.


No dia seguinte, Fred não se conteve e cedo foi conhecer a fábrica e acabou adquirindo sua primeira prancha de SUP.


“Acordei bem cedo e fui na fábrica dele pra conhecer e não me contive em comprar a prancha e o remo de SUP. Eu tinha que experimentar aquele esporte. No final do dia já estava chegando no aeroporto em Belém com uma prancha que não passava em pé por baixo de nenhuma porta", risos. Eu tava tão empolgado que só quando cheguei no prédio onde moro pensei: como vou subir com essa prancha? É lógico que ela não cabia no elevador, então o jeito vai ser subir sete andares pela escada”, brinca Fred.


A percepção do químico rapidamente associou o sup com a realidade insular de Belém. Banhada pela Baia do Guajará e cercada de ilhas.


Em junho de 2012, Fred juntou três amigos que trabalhavam com marcas de esportes aquáticos (surf, kitesurf, Wake, sup) e realizou um passeio pela orla da cidade tendo como ponto de partida o “Portal da Amazônia”.


“Esses amigos também já tinham uma prancha de SUP que praticamente ainda não tinham usada. Então pedi essa outra prancha emprestada, peguei a minha e fui com outros amigos na nova Orla de Belém, em Junho de 2012, para “brincarmos” de SUP. Passamos quase 2 horas remando na orla, passando em frente ao Mangal das Garças até o trapiche do Mormaço. Logo confirmei dentro d’água, da perspectiva em pé na prancha de SUP, todo o potencial daquela modalidade na região”, relembra.


Fred e sua primeira prancha de sup adquirida em Lima para desbravar as águas amazônicas

Em 2013, com incentivo dos amigos, Fred cria a Sup Division, a primeira Escola de Sup de Belém.


O esporte surgido no Havaí entre as décadas de 40 e 50, logo chamou atenção de pessoas que buscavam experimentar uma atividade esportiva ao ar livre na cidade das mangueiras.


Ao mesmo tempo que Fred buscava profissionalizar o SUP, percebia a dura realidade da falta de incentivo ao esporte por parte dos órgãos públicos.

Fred em Lobitos no Peru


“Quando você consegue algo, é tão pouco se comparado a todo um ano de planejamento e esforços pra conseguir. Em Belém, é raro o incentivo para esportes outdoor, então creio que se houvesse incentivo dos governos e mudança de cultura o esporte seria maior e forte”, Reforça Fred, o pioneiro do SUP em Belém.






Origens do Sup


Existem muitos relatos sobre a origem do sup no planeta. Há séculos, tribos e comunidades pesqueiras em diferentes partes do mundo se descolocam por áreas de difícil navegação, como igarapés, pequenos córregos ou recifes em busca de pescado.


O ato de remar em pequenas embarcações com auxílio do remo é milenar. Existem referências de pescadores do rio Li, na China, conduzindo pranchas de bambu há mais de 1300 anos, povos antigos do Oriente Médio que habitavam a Costa do Mediterrâneo, onde hoje se encontram Israel e Líbano, Jangadeiros de Portugal, Povos do Peru com seus caballitos de totora, Índios da Amazônia e Guatós(Estes há séculos remam no Pantanal sul-mato-grossense).


Pescador no Lago Inle na Birmânia rema em seu pequeno barco com uma perna enrolada em um remo, como seus ancestrais faziam há 900 anos


Muitos são os exemplos de povos que fazem uso de técnicas de remada em pé. Dentre estes, os polinésios, mas que estão mais diretamente ligados as origens do surf e do Va’a(Canoa havaiana ou polinésia).


No entanto, o stand up paddle como conhecemos hoje, como esporte e recreação surgiu no Havaí entre os ano 1930 e 1950 com surfistas da praia de Waikiki, provavelmente inspirados pelo waterman local “Duke Kahanamoku” que em 1939 fora presenteado com um surfski com um remo de pá dupla por uma equipe de esportes de praia da Austrália. Provavelmente nascia ali um dos esportes de água mais populares do mundo.


Imagem 1- Cartaz do Evento Battle of The Paddle com Duke Kahanamoku na Capa

Imagem 2 - Caballito de Totora no Peru

Imagem 3 - Duke Kahanamoku com o surfski em 1939


Duke logo percebeu isso e utilizava o novo brinquedo remando em pé. Presume-se que o ato de Duke tenha inspirado os beachboys de Waikiki a fazerem o mesmo. Naquela época, os beachboys davam aulas de surf aos turistas e com uma prancha maior poderiam agregar valor ao negócio tirando fotografia dos alunos. Nos anos 90, Dave Kalama e Laird Hamilton começaram a dar destaque ao sup que quase desapareceu entre as décadas de 70 e 80.


Na primeira década dos anos 2000, o stand up paddle se torna um dos esportes aquáticos mais praticados no mundo. Sua chegada ao Brasil provavelmente foi entre 2004 e 2005, pelo Salva Vidas brasileiro, radicado em Oahu, no Havaí, Vitor Marçal que, de férias no Brasil, a convite do empresário Luís Gontier, o Pipo, foi possivelmente o primeiro brasileiro a remar em uma prancha feita para o SUP em águas brasileiras, na praia do Guarujá.


Referências também são feitas aos paulistas Haroldo Ambrósio e Jorge Paceli. Tempos depois Rico de Sousa apresenta a novidade nas praias do Rio de Janeiro. A partir daí o SUP ganha o mundo.

Em 2019, o stand up paddle teve uma uma grande vitória ao ser incluído nos jogos pan-americanos de Lima.










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